Última alteração: 2025-05-25
Resumo
O gênero de terror é quase tão antigo quanto o próprio cinema, e sua criação está diretamente ligada às questões do gótico literário, que, por sua vez, ressurge na contemporaneidade como o gênero fantástico (Todorov, 2004). O terror infanto juvenil, no que lhe concerne, tem uma produção mais recente e pouco validada tanto no meio estético quanto acadêmico. Em 2009, dentro desse cenário, Henry Selick lança Coraline e o mundo secreto, como animação em stop-motion – objeto deste estudo.
Nessa obra, o protagonismo infantil vai ao encontro de uma criança que é heroína de sua própria história, quebrando padrões das clássicas histórias e criando um novo paradigma nas narrativas de terror. E ao tratar da protagonista, é mister trazer à discussão a antagonista, denominada outra mãe e bela dama – a qual se apresenta como “essencial e indispensável, sendo impossível sua substituição por qualquer um de seus cúmplices na narrativa.” (XXXXX; XXXX, 2024).
O objetivo deste estudo é investigar a trilha sonora como elemento intrínseco à narrativa de Coraline e o mundo secreto, e da caracterização da vilania da bela dama. Colocamos a vilã em evidência através do método de decupagem, a partir do qual selecionamos somente as faixas sonoras ligadas enfaticamente às aparições da vilã (incluindo os conflitos com a protagonista), suas visões e menções diretas. Além disso, verificamos também o silêncio presente em momentos específicos da narrativa, o qual funciona como uma pausa viabilizadora da apreciação do caráter visual do filme (Chion, 2008) e como preparação para o suspense e experiência fantástica.
Para desenvolver esta análise, lançamos mão dos estudos de Calabrese (1987), para tratar da monstruosidade da vilã; Panofsky (2017), para as análises iconológicas das cenas e que se inserem as músicas escolhidas; Chion (2008) e Gorbman (1987) para tratar das questões relacionadas ao som e a imagem. Nestes últimos, partimos do entendimento do som enquanto construtor da narrativa tanto quanto da imagem. Ao compreender este pensamento, investigamos a música através de uma abordagem interdisciplinar, na qual utilizamos o caráter textual e cinematográfico para interpretar os elementos sonoros da obra cinematográfica.
Referências
CALABRESE, Omar. A idade neobarroca. São Paulo: Edições 70, 1988.
CORALINE e o mundo secreto. Direção de Henry Selick. Produção de Bill Mechanic. Manaus: Sony, 2009.
CHION, Michel. A audiovisão: som e imagem no cinema. Lisboa: Texto & Grafia, 2008.
XXXXXX; XXXXX. Algo para amar além dela: uma leitura neobarroca da bela dama, vilã de Coraline. In: PÁSCOA, Luciane; CORDEIRO, Karen; CONSERVA, Pricilla (org.). Poéticas da arte moderna e contemporânea. Rio Branco: Nepan Editora, 2024.
GORBMAN, Claudia. Unheard melodies: narrative film music. Bloomington; Indianapolis: Indiana University Press; London: BFI Publishing, 1987.
PANOFSKY, Erwin. Significado nas artes visuais. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 2017
TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Perspectiva, 2004.