Última alteração: 2025-05-27
Resumo
O termo "capadócio" aparece em contextos literários, musicais e teatrais dos séculos XIX e início do XX, caracterizando tipos sociais populares de origem africana ou afrodescendentes, notadamente mestiços. Surge em notícias de jornais, textos teatrais, letras de músicas, contos, romances etc, referindo-se a variados perfis como escravizados fugidos, boêmios, seresteiros, “capoeiras” e, mais tarde, “malandros”. No teatro musical da segunda metade do XIX, o ator e compositor Xisto Bahia (1841–1894) foi um dos principais divulgadores do tipo, pelas personagens que interpretava e modinhas e lundus que cantava. Xisto teve papel central na evolução semântica do termo “capadócio”: antes de conotação pejorativa (associada a estigmas raciais e sociais) na primeira metade do XIX, para símbolo cultural, ainda vinculado a estes mesmos estigmas, no fim deste século.
Promptografia é uma técnica que utiliza inteligências artificiais generativas para criar imagens a partir de prompts contendo descrições iconográficas e especificações técnicas. Este trabalho propõe um experimento inicial para desenvolvimento de metodologias para elaboração de prompts capazes de gerar imagens de “capadócios” com base em fontes textuais históricas. A proposta justifica-se pela escassez de iconografia e pela riqueza de descrições textuais desse tipo social nas referidas fontes. A discussão abordará aspectos técnicos e filosóficos da promptografia, como racismo algorítmico e simulações e simulacros, além de princípios de iconografia e iconologia e temas ligados à mestiçagem e aos desdobramentos históricos e sociais do tipo “capadócio”.
Bibliografia básica
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