Portal de Eventos Científicos em Música, 8º CONGRESSO BRASILEIRO DE ICONOGRAFIA MUSICAL

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A iconografia de Zumbi dos Palmares: estudo a partir da composição do nº 5 dos Quadros Brasileiros de Alberto Montalvão
Nilton da Silva Souza, Lilian Maria Pereira da Silva

Última alteração: 2025-05-28

Resumo


Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas no acervo do Centro de Documentação Musical da Universidade Federal de Alagoas (CEDOM-UFAL), no qual encontramos, como parte do fundo arquivístico Amélia Papini Goes, uma publicação da composição intitulada Quadros Brasileiros (1941) de Alberto Montalvão (1912-1981). Em sua obra, Montalvão associa a iconografia a poesia e a música, numa  junção de quadros da nossa história. Partimos da análise do quadro nº 5 ao qual Montalvão nomeou de O Quilombo dos Palmares, cuja importância remonta ao século XVI, durante o Brasil colônia e que permanece na história como o maior e mais antigo quilombo brasileiro, símbolo de luta e resistência contra a escravidão. Zumbi dos Palmares é, pois, o personagem central da história de Palmares e é sobre ele que Montalvão discorre em música e em poesia. Temos como ponto de partida a percepção do compositor sobre a história oficial, as características espelhadas na iconografia em questão e diluídas na composição musical por meio dos elementos constitutivos que perpassam a poesia, o ritmo, a melodia e a harmonia. Trata-se, então, de um estudo que busca observar a interseção entre a música e a cosmovisão artística por meio da concepção iconográfica sobre o fato histórico. A análise comparativa entre poesia, música e iconografia nos proporcionou entender como a história pode ser escrita e como as imagens são colocadas criando lendas e suscitando debates, como aquele relacionado à morte do Zumbi dos Palmares. Por outro lado, o estudo historiográfico sobre o tema, excepcionalmente das contribuições de viajantes europeus, alargou as possibilidades de entendimento sobre a natureza do fato histórico, em um período que iniciou-se, no Brasil, um modelo - já preconizado na Europa -, de [novo] domínio colonial por meio de uma escrita histórica voltada para a valorização e exaltação dos feitos coloniais, pela expansão da literatura portuguesa. Nesse sentido a leitura de Pitta (1724) no que concerne ao tema em questão, serviu como base para uma leitura crítica a posteriori da literatura até a década da composição musical de Montalvão (1941), buscando, assim compreender as percepções que sobrepujaram a forma e a concepção artística da composição musical. De todo esse estudo, análises atuais da forma como o ícone Zumbi é tratado, pode nos mostrar como as construções históricas são (re)lidas, (re)interpretadas e (re)conceituadas.


Palavras-chave


Zumbi dos Palmares - composição musical - história oficial - iconografia - poesia e música

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